quarta-feira, 12 de março de 2008

A sociologia do Oi

Para não dizer que só estou copiando e colando coisas nos últimos tempos, aí vai um texto de minha autoria, mas bem antigo, abril de 2007.


A sociologia do Oi

O cara --

Ele chega no mercado com a esposa. Dia de semana, depois de uma tarde de trabalho. É sempre aquela mesma coisa.
Olha o xuxu, passa pelo melão e entra na sessão do yorgute. Ele avista um rosto conhecido. Será que ela se lembra dele? Será que ela o viu? "Se quiser ela fala comigo" é resposta para os questionamentos que passam voando pela mente.

A mulher ---

Dia intenso de trabalho. Ela encontra-se com a filha na faculdade e vai ao mercado comprar alguns por menores para a festa que está por vir. Sempre dedicada e concentrada não percebe que tem alguém ali que a conhece. A filha sempre ligada (no que não está fazendo no momento) avista um rosto não muito estranho, cutuca sua mãe e diz:

- Não é aquele cara?
- É mesmo. Concorda a mãe depois de um olhar que rapidamente volta para a emblemática embalagem do produto em questão.

Seguem as compras. Os dois carrinhos entram no mesmo corredor e os olhares se cruzam quase que obrigatoriamente. - Oi! Tudo bom? Há quanto tempo!

- Oi, tudo bem e com você? Como está a família?
- Bem, Graças a Deus. Aparece mais vezes.
- Você também. Até mais.
- Até.

Não importa quem falou primeiro, o diálogo seira o mesmo.

--As coisas não seriam bem mais fáceis e indolores com mais espontaneidade? Por que ele não foi ao encontro da amiga de antiga data e disse: "Oi, te encontrei aqui olhando preços e vim de dar uma abraço" ?Por que a mulher não fez o mesmo quando percebeu a presença do amigo? Por que a filha também não fez a sua parte?

Bendito sejam os corredores de supermercados sem faixa dupla. Amém.

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